segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Com etanol tão caro quanto a gasolina, Brasil entra na contra-mão dos carros elétricos

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Enquanto o Brasil festeja as recentes descobertas de grandes reservas de combustíveis fosseis, o mundo se prepara para a revolução elétrica. Estamos sim alguns passos atrás no desenvolvimento e implementação de tecnologias de energias renováveis no setor automobilístico.

O Petróleo tem seus dias contados na movimentação da frota mundial, e não sem razão: Além do aquecimento global, emissões de CO2 e outros gases nocivos, sua extração além de dispendiosa é um alto risco ao meio ambiente, como pudermos ver recentemente no desastre ecológico no Golfo do México (BP) entre outros igualmente importantes. Mas a substituição pelo etanol também gerou críticas desde o início, principalmente considerando-se que sua produção ocupa espaços gigantescos de plantio, em detrimento da produção de alimentos.

Como resposta surge o carro elétrico. Não emite gases, não faz barulho, usa energia renovável e precisa de incentivo em seu desenvolvimento. Mas isso não é o problema em sua implementação, ela é político-econômica.

Veículos elétricos podem ser a bateria, alimentada a partir da rede elétrica, ou híbridos. Estes contam com um gerador, a bordo, que fornece a eletricidade requerida pelo motor. Esse gerador é acionado por um motor de combustão interna, que pode consumir exclusivamente gasolina, diesel, biodiesel, etanol ou gás ou pode ser acionado por um motor flex. Qualquer que seja o motor de combustão interna que aciona o gerador, o veículo híbrido equipado com esse motor será mais econômico do que um veículo convencional acionado pelo mesmo e suas emissões nocivas substancialmente menores.


Como um país que descobre gigantescos poços de petróleo recentemente irá incentivar o uso dessa tecnologia? Para não perder o contrôle dessa nova onda tecnológica, o governo, dividido sobre a conveniência de dar incentivos aos carros elétricos, avalia a possibilidade de as novidades tecnológicas viabilizarem o nascimento de uma montadora nacional, nos moldes de uma Embraer, a Empresa Brasileira de Aeronáutica. Carros elétricos estatais.

No final de Maio o presidente Lula suspendeu a divulgação de um pacote de incentivos aos carros elétricos pouco antes da cerimônia por causa das divisões no governo sobre o tema. Os ministérios da Fazenda, Meio Ambiente e Ciência e Tecnologia defendem as medidas, mas o Ministério do Desenvolvimento teme que os incentivos possam prejudicar a competitividade do etanol e do biodiesel brasileiros.

Enquanto isso, outros países aceleram rumo ao elétrico: A China revelou semana passada detalhes de seu programa de subsídio aos veículos ecológicos, que é projetado para impulsionar a indústria automobilística do país e diminuir as emissões dos veículos.

Segundo o programa, o subsídio de até 60 mil yuans (US$ 8.784) será concedido aos compradores de veículos totalmente elétricos em cinco cidades selecionadas para o programa piloto, disse o Ministério das Finanças em um comunicado. Os compradores de carros híbridos receberão no máximo 50 mil yuans (US$ 7.320) como subsídio. As cidades selecionadas são Shanghai, Changchun, Shenzhen, Hangzhou e Hefei. A China é o maior mercado automobilístico do mundo.

A Toyota afirmou no mês passado que vai assumir uma participação de 50 milhões de dólares da fabricante de carros elétricos Tesla Motors, além de cooperar no desenvolvimento de veículos elétricos, peças e sistemas de produção.

A General Motors (GM) anunciou a criação de uma subsidiária para investir em empresas que estejam desenvolvendo novas tecnologias para o setor automotivo. Batizada de GM Venture, a subsidiária terá capital inicial de US$ 100 milhões e irá explorar novas áreas como a de tecnologia de baterias, na qual a GM entrou totalmente com seus planos de produzir até o fim do ano o Chevrolet Volt, um carro elétrico recarregável.

Isto sem falar nas outras montadoras como BMW, Fiat, Mitsubishi…. todas mirando a produção de elétricos e não sem motivo: o carro elétrico é hoje a solução ambiental mais correta.

No Brasil engatinhamos em incentivos aos carros elétricos com medidas desconectadas em nível nacional, vejamos o que dispomos hoje no setor com relação ao IPVA – Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores para veículos elétricos:

Em sete Estados os proprietários de veículos movidos a motor elétricos (ou de força motriz elétrica) são isentos do IPVA:

Ceará (Lei 12.023 – art. 4, IX – veículos movidos a motor elétrico)
Maranhão (Lei 5.594 – art. 9, XI – veículos movidos a força motiz elétrica)
Pernambuco (Lei 10.849 – art. 5, XI – veículo movido a motor elétrico)
Piauí (Lei 4.548 – art. 5, VII – veículo movido a motor elétrico)
Rio Grande do Norte (Lei 6.967 – art. 8, XI – veículos movidos a motor elétrico)
Rio Grande do Sul (Lei 8.115 – art. 4, II – … de força motriz elétrica)
Sergipe (Lei 3.287 – art. 4, XI – veículos movidos a motor elétrico)

Veículos elétricos têm alíquota do IPVA diferenciada em três Estados:

Mato Grosso do Sul (Lei 1.810 – O art. 153 prevê a possibilidade do Poder Executivo reduzir em até 70% o IPVA de veículo acionado a eletricidade)
Rio de Janeiro (Lei 2.877 – O inciso IV do art. 10 estabelece a alíquota de 1% para veículos que utilizem energia elétrica, alíquota essa 75% inferior à dos automáveis a gasolina)
São Paulo (Lei 6.606 – O inciso III do art. 7 estabelece a alíquota de 3% para automóveis de passeio, de esporte, de corrida e camionetas de uso misto movidos a eletricidade, alíquota essa 25% inferior a dos automóveis a gasolina)

Um comentário:

Anônimo disse...

Gigantes como: GM,Nissan,Volkswagen,Ford,Toyota,Honda,Fiat juntamente com LG, Siemens, Microsoft, Google, estão se engalfinhando para ver quem dominará o mercado das baterias e consequêntimente o automotivo do futuro.
Então eu lhes pergunto:
Qual será o nível de tecnologia esperado deste combate...(: ?